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OCULAR SURGERY NEWS LATIN AMERICA EDITION August 1, 2008
LIOs com antibiótico apresentam eficácia contra bactérias resistentes
Lente acrílica hidrofílica imersa promove níveis maiores e mais duradouros que fluoroquinolonas.
by Michela Cimberle
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ESTOCOLMO – As LIOs como sistema de liberação de drogas para antibióticos, usados como único método e combinado a antibiótico tópico ou intra-cameral, pode ser uma alternativa eficaz contra as bactérias crescentemente resistentes que causam endoftalmites, de acordo com um cirurgião.

“Resistência a antibióticos é uma realidade emergente, uma preocupação crescente e questão amplamente discutida em cirurgia ocular”, disse Dr. Randall J. Olson no Congresso da European Society of Cataract and Refractive Surgeons.

Há cerca de 8 anos, as fluoroquinolonas de última geração, as “novas armas no arsenal de antibióticos oftalmológicos”, eram tidas como solução para as bactérias resistentes.

Organismos que eram resistentes a ciprofloxacina, ofloxacina e levofloxacina eram facilmente combatidos pela gatifloxacina e moxifloxacina, de acordo com Dr. Olson.

“Fluoroquinolonas de quarta geração realmente representaram uma melhora dramática, e nós estávamos confiantes que elas estariam sempre disponíveis para nós”, disse ele.

No entanto, em Novembro de 2006, um artigo por Deramo e colaboradores demonstrou que diversas espécies de staphylococcus estavam desenvolvendo rapidamente resistência às fluoroquinolonas de última geração.

“A maioria dos organismos causadores de endoftalmite bacteriana eram originalmente resistentes e a resistência já era superior aos níveis entre 6 mcg/mL e 8 mcg/mL, o qual se atinge com qualquer aplicação tópica”, disse Dr. Olson. “Então, podemos dizer que a profilaxia tópica passará a ser um problema crescente”.

Métodos Alternativos

Escudos de colágeno, que foram desenvolvidos como um sistema, possivelmente mais eficaz, de liberação da droga, falharam em atingir as expectativas. As concentrações de gatifloxacina e moxifloxacina eram de 2,3 mcg/mL e 3 mcg/mL respectivamente após 3 horas, e 0,76 mcg/mL vs. 0,29 mcg/mL após 6 horas.

“Gatifloxacina mostrou-se melhor neste caso particular. Também poderia ser complementado com ao uso tópico, mas não houve maneira de lutar contra a resistência no nível de 6 mcg/mL a 8 mcg/mL”, disse Dr. Olson.

A intervenção intra-cameral, avaliada em uma grande série de pacientes no estudo ESCRS, mostrou-se um método profilático efetivo e está ganhando popularidade rapidamente. No entanto, questões têm sido levantadas pelo uso “off-label” de cefuroxime, e a resistência à droga pode aumentar com o tempo. Além disso, como o tempo de fluxo do aquoso no olho é de 20 a 30 minutos, antibióticos de liberação intra-cameral têm uma meia-vida curta e não promovem cobertura de longa duração.

O uso de LIO como reservatório e sistema alternativo de liberação de antibióticos foi primeiramente publicado por Kleinmann e colaboradores em 2006.

A lente usada, Centerflex (Rayner) acrílica hidrofílica, foi imersa por 24 horas em preparação tópica comercial de gatifloxacina 0,3% ou moxifloxacina 0,5%. Níveis de antibiótico, medidos por cromatografia líquida, foram comparados com aqueles obtidos com a administração de antibiótico tópico a cada 5 minutos, três vezes no pré-operatório e 2 horas pós-operatório, em coelhos.

Meia-vida, eficácia longa

“Não houve sinais de toxicidade em nenhum dos métodos”, disse Dr. Olsen. “Os níveis em associação com a aplicação tópica foram exatamente como o esperado – aproximadamente 2 mcg/mL para a moxifloxacina e 1,25 mcg/mL para gatifloxacina, o que é essencialmente a mesma taxa dos dois antibióticos em solução”.

Com a LIO embebida em antibiótico, os níveis de antibióticos em 4 horas foram maiores que 12 mcg/mL com gatifloxacina e em torno de 10 mcg/mL com moxifloxacina.

“Estes são níveis muito altos, que poderiam ser eficazes mesmo para bactérias moderadamente resistentes, as quais estão atualmente se tornando um problema”, disse Dr. Olsen.

Níveis eficazes ainda estavam presentes após 8 horas, com 8 mcg/mL para gatifloxacina e 4,5 mcg/mL para moxifloxacina. Após 12 horas, a concentração de gatifloxacina era de 4 mcg/mL e moxifloxacina de 2,6 mcg/mL.

“É interessante observar que foi inversa à concentração das preparações tópicas em solução (gatifloxacina 0,3% vs. moxifloxacina 0,5%). Obviamente isto tem relação com a ligação e liberação dentro do material da lente”, ele disse.

A concentração de gatifloxacina foi maior na liberação pela LIO nos três pontos do tempo, e a diferença em relação à administração tópica foi estatisticamente significativa. Para moxifloxacina, a concentração foi significativamente maior na liberação por LIO após 4 e 8 horas.

“LIOs com antibióticos garantem altos níveis por 8 a 12 horas”, disse Dr. Olson. “A beleza desta intervenção está na meia-vida da droga, antes de 20 ou 30 minutos, agora ser de 4 horas”.

Abordagem agressiva

De acordo com Dr. Olson, este método pode ser melhorado com a suplementação com antibióticos tópicos ou intra-camerais.

“Fica claro que, com estes organismos resistentes emergentes, múltiplas abordagens podem ser benéficas e se complementam”, observou ele.

Injeção intra-cameral, por instância, promoveria o benefício de um pico precoce, o que seria prolongado pelo efeito a longo termo e meia-vida mais longa da liberação pela LIO.

Esforços futuros devem ser direcionados para encontrar o material ideal de LIO para melhor concentração do antibiótico, tentando diferentes antibióticos para o melhor efeito e definindo a duração do tempo que a lente precisa ficar embebida para melhor performance, disse Dr. Olsen.

“Estou com medo desta nossa atual batalha contra as bactérias, na qual elas estão aparentemente ganhando. Uma intervenção agressiva é mandatária, e tais métodos inovadores podem passar a ser crescentemente importante no futuro”, disse ele.

Para mais informações:
  • Dr. Randall J. Olson, pode ser encontrado no John Moran Eye Center, 50 N. Medical Drive, Salt Lake City, UT 84132 U.S.A.; +1-801-585-6622; fax: +1-801-581-8703; e-mail: randall.olson@hsc.utah.edu. Dr. Olson não tem interesse financeiro direto nos produtos discutidos neste artigo, ou é pago como consultor das companhias mencionadas.
Referências:
  • Mather R, Karenchak LM, Romanowski EG, Kowalski RP. Fourth generation fluoroquinolones: new weapons in the arsenal of ophthalmic antibiotics. Am J Ophthalmol, 2002; 133:463-466.
  • Deramo VA, Lai JC, Fastenberg DM, Udell IJ. Acute endophthalmitis in eyes treated prophylactically with gatifloxacin and moxifloxacin. Am J Ophthalmol. 2006; 142:721-725.
  • Kleinmann G, Apple DJ, et al. Hydrophilic acrylic intraocular lens as a drug-delivery system for fourth-generation fluoroquinolones. J Cataract Refract Surg. 2006; 32:1717-1721.
  • Michela Cimberle é Correspondente da OSN, localizada em Treviso, Itália, que cobre todos os aspectos oftalmológicos. Ela está baseada geograficamente na Europa.

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